Números desmentem: Mulher no volante, cuidado constante

Números desmentem: Mulher no volante, cuidado constante

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Se desatenção e perigo constante são o tipo de pensamento que você tem quando o assunto é mulher no volante, é porque você não acompanha as estatísticas. Mesmo convivendo com o estereótipo de más condutoras, elas são cerca de um terço do total de motoristas do Brasil, mas provocam apenas 11% dos acidentes. Mais cuidadosas, não só ganham espaço no trânsito, como também fazem do volante a sua profissão.

É com entusiasmo que a paranaense Claudete Maria Philippsen Eyng, 48 anos, encara a madrugada e dá a arrancada em sua jornada de trabalho às 3h30 da manhã. Há dez anos como motorista de ônibus, ela conta que o interesse pela profissão começou de forma despretensiosa. “Eu viajava do Paraná para Santa Catarina e sempre observava os ônibus de viagem, achava incrível. Aprender a dirigir se tornou um sonho”.

A partir daí, Claudete decidiu transformar o sonho em realidade tirando a carteira de habilitação para a categoria D, específica para os condutores de veículos utilizados para transporte de passageiros. Depois disso, começou a atuar no ramo, até a chegada em sua atual empresa, na qual foi a primeira motorista mulher. “No início foi difícil, durante a vida a gente ouve muita piada, que mulher não tem capacidade de dirigir”, desabafa. Entretanto, faz questão de ressaltar o suporte que recebeu da família. “Da família, nunca sofri preconceitos, sempre fui apoiada. Os meus três filhos têm orgulho da mãe”.

Para lidar com os maus comentários e estigmas, Claudete aposta na qualidade do seu trabalho como a melhor resposta: “eu acho que sou uma boa motorista. Eu me sinto bem, faço o que eu gosto e procuro me manter dentro das leis”. Se engana quem pensa que motoristas como Claudete são a exceção. As motoristas possuem um perfil de comportamento mais cauteloso, prudente e seguro.

Em Londres, um estudo realizado pela seguradora Privilege Insurance no ano passado monitorou 50 motoristas pelo lado de dentro de seus carros e 200 pelo lado de fora, em um dos cruzamentos mais congestionados da cidade. Com uma avaliação com um total de 30 pontos – em quesitos como velocidade adequada no semáforo, manobras imprudentes e outros -, as mulheres foram melhor: marcaram 23,6 pontos, enquanto homens alcançaram 19,8. No Brasil, o cenário é parecido: de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apenas 11% dos envolvidos em acidentes de trânsito com feridos ou mortes são mulheres, e 71%, homens (18% não têm o sexo informado). Sendo que as mulheres representam cerca de um terço dos condutores do país.

Atualmente, Claudete não é mais a única motorista da empresa, fato que aponta o crescimento da presença feminina nessa área. Apesar disso, a imagem negativa das mulheres ainda existe, sendo reforçada desde os olhares de estranhamento aos xingamentos de “tinha que ser mulher” que são corriqueiros no trânsito. Em meios aos estigmas e riscos da profissão, Claudete se mostra otimista com as conquistas das mulheres no mercado e aposta no amor à profissão para enfrentar qualquer preconceito. “A pessoa precisa gostar do que faz. Hoje, trabalhando como motorista, sinto que amo meu trabalho, não largo mais por nada”, declara.

msn

31/10/2016

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