Meteorologista da Semarh desmente alerta de tsunami em Alagoas

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Uma notícia irresponsável circulou nas redes socais, na última quarta-feira (02), assustou milhares de maceionses e alagoanos que moram próximo ao litoral. Segundo o texto que foi publicado no jornal A Hora, uma onda gigantesca de 500 km de extensão e 30 metros de altura pode atingir o Caribe, costa leste dos Estados Unidos e até o litoral nordestino, incluindo Alagoas. Ainda segundo a informação um alerta de emergência foi emitido para o dia 29 de novembro deste ano às 03h30 da madrugada, a onda gigantesca irá invadir a parte baixa de Maceió. Para o meteorologista, Vinícius Nunes Pinho, responsável pela Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a notícia não passa de um boato e a informação não procede.

“Nós não sabemos de onde surgiu essa informação falsa. O que eu posso garantir que isso não é verdade. Até o presente momento, não foi emitido nenhum alerta de Tsunami para o Brasil. Não existe a menor possibilidade de isso acontecer aqui. Ainda mais com data e hora marcada. Eu avalio esse tipo de boato como uma irresponsabilidade e só serve para assustar as pessoas porque acaba desviando o foco do monitoramento diário que é feito em Alagoas. Eu tive que desmentir várias vezes essa informação na última quarta-feira (02). As chances de algo desse tipo acontecer em Alagoas são praticamente nulas”, afirmou o meteorologista.

Pinho explicou para a reportagem do Alagoas em Tempo como é feito o monitoramento pela Semarh. “O nosso monitoramento é feito pela nossa Sala de Alerta e nós contamos com uma equipe de meteorologistas, hidrólogo e analistas de sistemas. Nós somos responsáveis, tanto pelo monitoramento das condições climáticas e hidrológicas em Alagoas. Somos responsáveis pela emissão de alertas e avisos referentes a eventos severos da natureza como inundações, deslizamentos nas encostas e chuvas intensas. Atualmente, nós contamos com uma série de equipamentos que foram instalados nas principais áreas de risco em Maceió, que nós chamamos de PCDs hidrometeorologicas. Esses equipamentos têm a função de monitorar em tempo real a quantidade de chuva, níveis dos rios e das nossas lagoas. A nossa Sala de Alerta é considerara uma referência nacional no monitoramento hidrometerologico”, salientou.

De acordo com o meteorologista, a Semarh utiliza diversas ferramentas para o monitoramento e previsão de desastres como imagens de satélites, radares, modelos computacionais de previsão de tempo e emitimos todos os tipos de avisos que vai para as Defesas Civis nos 102 municípios alagoanos. Ele analisou ainda a elevação do nível das águas dos oceanos. “Essas informações são enviadas para o Gabinete do Governador, gestores municipais e Agência Nacional de Águas. A elevação do nível do mar é algo cíclico e existem pessoas que defendem o degelo das calotas polares, como o principal responsável por isso. Na minha opinião, isso está vinculado ao aquecimento das águas superficiais dos oceanos. Existem pontos no Oceano Atlântico que têm registrado temperaturas mais baixas. Um tsunami, como foi publicado, está vinculado a um evento geológico. Uma onda dessa teria vínculo com as movimentações das placas tectônicas. E no Oceano Atlântico isso não é possível porque a placa da América do Sul, em relação a placa da África, elas se afastam e não existe movimentação que possa vim a ocorrer um terremoto para provocar um tsunami. A única forma de uma onda gigante atingir o litoral de Alagoas seria caindo um meteoro de grandes proporções no Oceano Atlântico”, afirmou.

Vinícius Nunes Pinho aproveitou tranquilizar a população e desmentir essa informação que circulou nas redes sociais, na última quarta-feira (02), devido à proporção que o assunto tomou. “O que existe de concreto são os alertas de ressaca que foram emitidos pela Capitania dos Portos, com as ondas chegando até a 2,5 metros de altura, que vai até o dia cinco deste mês. Não existe nenhum tipo de aleta tão preciso com data e hora de um tsunami”, finalizou.

Alagosatempo

04/11/16

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